quinta-feira, 5 de abril de 2018

(Pablo Picasso; "Two girls reading")


Vistas largas
Leste-me uma frase e meia…queres que adivinhe o que falta, não acerto à primeira mas à segunda tentativa estou mais atenta e vejo o mar cheio de peixes com vistas largas. Entendi a mensagem: queres que escreva. Um dia foi a minha salvação, é a minha sabedoria e escrevemos a Nossa vida com ela. Como gostas de me fazer surpresas tornaste a tinta num gesto, acasalamos também na pele.    

Sintonia e magia
Ela mal conhecia a palavra sintonia, era qualquer coisa como dois radares reunidos com a precisão de uma bússola, ela foi consultar o dicionário e estranhou tal palavra ser a vida das profundezas daquelas conversas. As conversas eram longas e mantinham-na fulgurante, ela sentia-se bela pois o conversador dizia-lhe que ela o tinha seduzido de forma mágica. Mais tarde enviou-lhe uma explicação da magia: era sintonia feita de Amor Verdadeiro em vales verdejantes.   

Menu Atualidade Duvidosa
Vesdusco, tenho um pedido fora do menu, e informo que verifiquei que este tem pouca oferta de refeições da pós-modernidade que dizem que já vai tardia): queria sentir-me quente (chamas mais magnificentes do que o mais potente aquecedor), quente e absorta junto dos insetos que nunca irei estudar (demasiada literatura técnica em simultâneo), sentir-me ainda mais quente com as palavras que teimam (teimosas do raio!) em ficar, contigo aumento mil a velocidade do quente com um extra até à Eternidade (gostava muito que a Eternidade também fosse abarrotada de árvores de Natal)
P.s.: o menu tem uma refeição que captou inesperadamente o meu desejo de desgostar com rebeldia, chama-se “Para onde fomos ontem…não interessa…hoje estamos a dançar melodias ganhadoras”, podia ouvir ao longe, era Mozart sem dúvida e foste tu que me ensinaste como ganhar ao par durante uma dança: os olhos têm de se manifestar fulgurantes e a cada passo tenho de ouvir a minha respiração sobre a tua como uma jura de Amor Verdadeiro.

As grandes questões
Digo-te sem frases demasiado coloridas: sim acertei o alvo, no entanto ajudou esse ser dourado estar à minha espera com mil perguntas, a primeira ela já devia intuir pois acredito sem hesitações: questionou-me sobre a natureza verdadeira dos meus sentimentos. Acreditou em tudo o que lhe linguarejei na minha comunicação fundamental, irrequieta em gestos largos queria dar nomes a tudo, eu apenas fui oferecendo mais peças para o puzzle, mas sim era verdade que ela era uma pianista célebre e que usava na perfeição o grego e o latim. Hoje continua cheia de interrogações, algumas estão ligadas a desconstruções que ela fez de anteriores conclusões, nunca, no entanto, ela apresentou tentativas de respirar sem mim.
Gracioso


Minha suave efervescência as tuas mãos lembram-me as ervas douradas pelo sol que se tornaram movimento nas veias que derramam a cores da escrita. Quero perguntar-te se és vida de uma tulipa em mim nesse cavalgar recorrente onde escreves comigo. Conheço a tua resposta: és a tulipa que cresce mais acelerada num qualquer campo pois tens afogo de escrever o teu rebuliço, quando junto o meu ao teu tornamos gracioso o mundo que está defronte.

A palavra certa

 

um dia pleno de pássaros jubilando cantares alegres

voos traçados junto do meu olhar alimentam-me de tudo:

os sonhos que habitam os nossos caminhos

partem na aventura e linguarejam palavras diferentes

procuro um mundo novo, aquele que vem das primeiras palavras

cavalgando a minha própria dança sempre agitei  todos os ritmos

só sei as letras que arquitetam uma palavra:

vida, continuarei o meu voo

P.s.: inspirada ando por vezes, outras vezes a garganta não diz uma palavra escrita, todos os caminhos prendem a alma de nenhuns voos, sei encantar os tesouros de forma a que eles desaguem aqui perto mas esqueci-me da partitura. Inspiração minha: trazes-me a partitura para dentro do coração descampado e também a Primavera, aquela luz vivaça que traz tenda se chover? Na Primavera chove q.b., oh inspiração que vem és chuva de festa?